ABA! ABA! ABA!

E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. Galatas 4.6

Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. Romanos 8.15

Eu estava em Israel, mas precisamente Jerusalém, junto ao Kotel (Muro de orações) conhecido como muro das lamentações, lugar onde as orações são ininterruptas, dia e noite, frio ou calor sempre alguém está ali orando ao Eterno, de um modo religioso ou devocional, mecânico ou espontâneo, não importa se é judeu ou brasileiro todos têem acesso e todos podem orar naquele lugar.  De repente escuto uma voz de criança clamando:  Abá, Abá, Abá.  Do pouquíssimo hebraico que tenho conhecimento sei que essa palavra significa PAI, ou Papai, algo como “paizinho querido!”

Olhei rapidamente para ver quem era, tratava-se de uma linda criança tentando chamar a atenção de seu pai.  Curiosamente sendo um Shabath festivo em plena festa de Sucoth (Tabernáculos) os homens ali em sua grande maioria estavam de preto, usando um chapéu, quase sem exceção tinham barba, e uma quantidade enorme usava óculos, pois é um lugar de leitura da Torah (Pentateuco Bíblico que vai de Genesis a Deuteronômio).

Minha pergunta era como ela sabia quem era seu pai em meio a todos homens de preto, com chapéu, de barba e de óculos?

O momento magnífico foi quando quase que em slow motion (Câmera lenta) um daqueles homens a pegou no colo enquanto ela corria pra seus braços paternos.

Por que ela não o chamou pelo nome?  As testemunhas de Jeová sempre nos perguntam o mesmo no Brasil.  Eles dizem: qual é o nome do Pai.  Por que vocês não dizem Jeová, ou Iaweh, ou Adonay?

Meu filho mais velho quando ainda tinha 1 ano e meio vendo minha esposa me chamar para o almoço dizendo: Arcélio! Arcélio! Arcélio!  Resolveu imitar a mãe e disse: “Acelio, vem muçá” !  Depois de rir muito, lhe disse: Filho, pra você eu não sou “Acelio”. Pra você eu sou “papai”!

Deus pode te reconhecer em meio a uma multidão de gente assim como aquele pai reconheceu sua filha em Israel!  Você pode reconhecer seu Pai Celestial em meio a um “panteão de falsos deuses inventados pelo homem e pela religião”.  E o Eterno, não se preocupa muito com sua pronuncia, na verdade ao dizer seu Santo Nome Ele prefere que você o chame de Pai.  Pai é uma expressão grandiosa e ao mesmo tempo expressa intimidade, pois só um filho pode chamar um pai de Pai.   Por isso na oração do Pai Nosso Jesus nos ensinou a orar assim: “Pai nosso que está nos céus”.  Qualquer um pode chamá-lo de Deus, pois Deus Ele é, mas só os filhos podem chamá-lo de Pai.

A expressão Deus expressa distância do Pai, a expressão Pai expressa proximidade de Deus.  O único lugar que Jesus se dirige a Deus como Deus e não como pai foi no abandono da cruz: “Deus meu, Deus meu porque me abandonastes!”

Quando um filho diz: Pai, não há coração paterno que não se derreta.  Deus não se importa com seu conhecimento teológico, escatológico, arqueológico, lingüístico etc.  Deus não se importa com sua dicção, com sua hermenêutica, com sua homilética.  Ele não se impressiona com as palavras bonitas de seus discursos ou de sua oração quando levanta a voz.  Ele apenas quer ser visto, amado e honrado como o Pai nosso que está nos céus! Ele não te quer servo, Ele te quer mais que isso, te quer filho. Privilégio essa que não foi dado nem aos seres poderosos (Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho? Hebreus 1.5).

Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. I João 3.1-2

Shalom, Nele, em quem recebemos o privilégio inenarrável de sermos feitos filhos de Deus.

Arcélio Luis
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